De onde eu venho? O que devo fazer da minha vida? O que acontece comigo após a morte? No livro A Morte de Deus e o Crepúsculo da Cultura Ocidental, o Pr. Jonas J. Mendes argumenta que, quando a cultura ocidental deixou de responder a essas três perguntas, a crise dela virou uma crise de identidade que atinge cada pessoa.
Quais são as três perguntas de John Carroll?
Em Ego e Alma, John Carroll escreve que a tarefa central de toda cultura é dar respostas convincentes a três questões: a da origem, a do propósito e a do destino após a morte. Nas palavras dele, citadas no livro, são "De onde eu venho?", "O que devo fazer da minha vida?" e "O que acontece comigo após a morte?".
São perguntas que uma cultura inteira responde, e não só os filósofos. Com a crise da cultura ocidental, as antigas respostas foram rejeitadas e as novas ainda não apareceram. O efeito chega à pessoa.
O que é o sujeito líquido?
O Pr. Jonas explica que a cultura molda o sujeito. Quando ela perde a coerência e a solidez, o sujeito acaba líquido, com uma identidade fluida. Jesús María Silva Castignani, citado no livro, descreve a pós-modernidade como um mundo desenraizado, em que a cultura perdeu a identidade porque perdeu as convicções.
Na crise de identidade, as pessoas deixam de saber quem são, de onde vieram, para onde vão e qual é o propósito delas. As três perguntas de Carroll voltam, agora sem resposta.
O que Featherstone e Rorty dizem sobre o eu?
Em O Desmanche da Cultura, Mike Featherstone aponta a descentralização do sujeito. O sujeito moderno, de identidade fixa e coesa, dá lugar a um indivíduo fragmentado e descentrado, e a pós-modernidade propõe uma ruptura no íntimo do próprio indivíduo.
Richard Rorty, citado por Featherstone, foi mais longe. Defendeu que não existe uma essência humana coerente e que o eu é um conjunto de quase-eus conflitantes, um ajuntamento aleatório e incerto de experiências. Se não há essência, a pergunta "quem sou eu?" perde até a possibilidade de resposta.
Como dialogar com a cultura de hoje?
O Pr. Jonas observa que toda cultura pressupõe uma antropologia, sobre o que é o homem e de onde ele vem, e uma teologia, sobre quem é Deus. Por isso, para ele, o diálogo seguro com a cultura contemporânea só começa quando se entende a teologia e a antropologia que estão por trás dela.
Quando a cultura deixou de responder às três perguntas, o vazio passou a ser preenchido por gurus e guias espirituais. Em outro capítulo, o Pr. Jonas descreve o tipo de religiosidade que prospera nesse ambiente: "O defensor das ‘espiritualidades pós-modernas’, só aceita um Deus que não interfira nos seus interesses, que não ouse impor normas ou regras; um Deus sem exigências e que não reclame exclusividade, em síntese, um Deus fraco e relativista."
A raiz desse problema está na relação entre a cultura e aquilo que ela adora, tema de cultura e culto.
As perguntas continuam de pé
A cultura pode deixar de responder às três perguntas, mas não consegue fazê-las sumir. O Pr. Jonas J. Mendes mostra que, por trás de toda resposta, há uma teologia e uma antropologia. E as Escrituras têm resposta para as três: de onde viemos, para que vivemos e para onde vamos.






