A palavra cultura nasceu da mesma raiz de culto. O parentesco parece curiosidade de dicionário, mas, no livro A Morte de Deus e o Crepúsculo da Cultura Ocidental, o Pr. Jonas J. Mendes mostra que ele diz muito sobre o Ocidente: a religião está no núcleo da cultura, e quando a cultura é esvaziada do fundamento religioso, outro absoluto ocupa o lugar.
De onde vem a palavra cultura?
Do latim colere, que significava cultivar, habitar, proteger e prestar culto. Terry Eagleton, citado pelo Pr. Jonas, lembra que colere gerou, de um lado, colonus e colonialismo e, de outro, cultus, o termo religioso culto.
Com o tempo, a palavra passou a designar o cultivo das faculdades humanas pela educação e pela arte. O terreno cultivado deixou de ser a terra para se tornar a mente. O parentesco com o culto ficou escondido dentro da palavra, mas não desapareceu.
A religião é a alma da cultura?
Para Christopher Dawson, sim: a religião é a alma de uma cultura. O Pr. Jonas recorda que a cultura é o mapa da vida e que o núcleo da cultura comum é a religião. Por isso, observa ele, os movimentos revolucionários miram as duas.
O ponto mais agudo vem a seguir. A partir de Terry Eagleton, o Pr. Jonas mostra que os pós-modernos esvaziam a cultura do fundamento religioso e introduzem, em silêncio, um novo absoluto: o da Cultura enquanto divindade. A crise da cultura ocidental abriu espaço para essa nova divindade.
O que a cultura faz com as pessoas?
Os autores que o Pr. Jonas reúne descrevem três funções. Em Engajamento Cultural, Joshua Chatraw e Karen Swallow Prior afirmam que a cultura traz sentido às coisas e determina as sensações, porque chama a uma liturgia e cultiva atitudes de adoração. E a cultura se replica, como um sistema de herança em que a família e as instituições transmitem à geração seguinte os sentidos e as práticas que receberam.
Paul Hiebert oferece uma imagem útil: a cultura funciona como óculos coloridos que afetam a percepção do mundo. O efeito só se percebe quando as lentes ficam sujas ou quando se troca de óculos. Quem nunca tirou os óculos tende a achar que o mundo é daquela cor.
Por que é importante influenciar a cultura?
O Pr. Jonas lembra que o homem recebe a estrutura conceitual da cultura em que vive, e por isso é de extrema importância exercer alguma influência sobre a formação dela. Se a cultura cultiva adoração e se transmite de geração em geração, quem forma a cultura forma o que as próximas gerações adoram.
Na Palavra Final do livro, o chamado fica explícito: "Enquanto cristãos, não podemos nos calar, devemos entrar na arena cultural e combater, lutar pelos valores que acreditamos, não podemos entregar a cultura aos ‘bárbaros’."
O que acontece com as pessoas quando a cultura perde a solidez é o tema de três perguntas que toda cultura precisa responder.
Ninguém deixa de cultuar
Uma cultura que perde o culto continua adorando alguma coisa, e hoje o objeto de adoração é a própria Cultura. Se a religião é a alma da cultura, como diz Dawson, a pergunta útil diante de uma canção, de uma escola ou de uma série é menos se ela fala de religião e mais o que ela ensina a adorar.






