O que é o Reino de Deus? A expressão aparece em quase toda pregação, mas raramente vem acompanhada de uma definição. No episódio 32 do Cenáculo do Saber - Entrevista, com David Marrone, o Pr. Jonas J. Mendes propôs uma definição em três elementos: o rei, o lugar e o povo. Para ele, o reino de Deus é um tema central da Bíblia, que percorre as Escrituras das primeiras às últimas páginas.
O reino de Deus aparece no Antigo Testamento?
A expressão "reino de Deus" não aparece no Antigo Testamento e aparece no Novo, observa o pastor. Mesmo assim, ele entende que o conceito atravessa todas as Escrituras desde o começo. No Novo Testamento, a expressão grega pode ser traduzida como reinado de Deus, governo de Deus, autoridade de Deus.
O Pr. Jonas também alerta para a amplitude do tema: "O reino de Deus é um assunto muito complexo, ele é multidimensional. Você tem um único reino, mas com inúmeros aspectos e dimensões." Por isso Jesus e os apóstolos nem sempre destacam o mesmo aspecto do reino quando falam dele. O artigo O Reino Multidimensional desenvolve essa ideia em detalhe.
Quais são os elementos do Reino de Deus?
A primeira parte da definição é o rei. Deus é apresentado como rei em inúmeros textos, como os Salmos 29 e 47, e em Isaías 6, quando o profeta exclama que os seus olhos viram "o Rei, o SENHOR dos Exércitos" (Isaías 6.5). O reino de Deus está centrado na pessoa do rei, na soberania e na autoridade de Deus.
A segunda parte é o lugar. Deus cria um espaço onde vai exercer a sua autoridade: a criação inteira, com a terra, os céus e tudo o que há neles. A criação é o território do domínio desse rei.
A terceira parte é o povo, os seres que estão debaixo da autoridade do rei: os anjos na esfera celestial e os homens na terra, os súditos do reino. O pastor resume a definição em uma fórmula curta, o rei, o povo do rei e o lugar do rei, e explica que ela é uma adaptação que fez de uma definição de Graeme Goldsworthy.
Adão, o rei regente
Com os três elementos em mãos, o Éden ganha outra leitura. O jardim era o lugar em que o rei tinha seus súditos e exercia autoridade sobre eles. Segundo o Pr. Jonas, o reino ali também tinha um aspecto mediatório, porque o rei soberano colocou Adão como mediador da sua autoridade sobre a criação. Adão tinha um papel real, o de rei regente.
Quando Adão peca, as consequências se estendem a toda a criação. A partir do pecado, o território do rei passa a ter uma rebelião, e os súditos se rebelam contra a autoridade do rei. O reino continua sendo o mesmo, mas agora é contestado dentro do seu próprio espaço.
Reino universal e reino de relacionamento
O Pr. Jonas distingue, desde o Antigo Testamento, aspectos do mesmo reino. Há o aspecto universal, a soberania do rei sobre toda a criação. E há o aspecto mais particular, em que o rei se relaciona com o povo que reconhece a sua autoridade. O pastor insiste que se trata do mesmo reino e do mesmo rei, vistos por ângulos diferentes.
Para quem lê a Bíblia, a distinção ajuda a juntar textos que celebram Deus como rei de toda a terra com a oração "venha o teu reino" (Mateus 6.10), que pede algo ainda por vir. Os dois falam do mesmo rei.
A definição do Pr. Jonas Mendes fica assim: o reino de Deus está centrado na pessoa do rei, tem um lugar em que ele exerce a autoridade e tem um povo que vive debaixo dessa autoridade. Guardar esses três elementos dá ao leitor da Bíblia um eixo para acompanhar o tema do Éden até a nova criação, assunto que o pastor desenvolve no restante da entrevista do episódio 32.





