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Dispensacionalismo ProgressivoEP. 32

Por que o dispensacionalismo progressivo virou caricatura no Brasil?

O conselho do Pr. Jonas Mendes: entender o movimento a partir de quem o defende

David Marrone24 de outubro de 2026 3 min de leitura
Por que o dispensacionalismo progressivo virou caricatura no Brasil?
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Reflexão a partir da fala de Pr. Jonas J. Mendes no Cenáculo do Saber - Entrevista EP. 32, com David Marrone.

Muita gente no Brasil já tem opinião formada sobre o dispensacionalismo progressivo sem nunca ter lido um dos seus proponentes. No episódio 32 do Cenáculo do Saber - Entrevista, com David Marrone, o Pr. Jonas J. Mendes explicou por que o movimento virou caricatura por aqui e deu um conselho simples a quem cresceu com fontes secundárias: "A gente tem que entender o movimento a partir de quem defende o movimento."

Por que há tão pouco material confiável em português?

No Brasil, afirma o pastor, há pouco material em português sobre o dispensacionalismo progressivo, e o que existe não retrata com fidelidade o que ele é. Ele resume o problema em uma frase: "A falta de material e o que tem em português não representa o movimento."

Além da escassez, existe um hiato de tempo, às vezes de 20 ou 30 anos, para livros que não são traduzidos. Dispensationalism, Israel and the Church, de 1992, e The Case for Progressive Dispensationalism, de Robert Saucy, de 1993, nunca foram traduzidos, e o movimento já vinha sendo construído na década de 80. Quando chegam, as traduções muitas vezes são infiéis. O Pr. Jonas comparou uma tradução de um livro sobre o dispensacionalismo progressivo com a versão em inglês e viu que o tradutor errou em conceitos fundamentais, o que prejudica a compreensão do movimento.

O que Charles Ryrie criticou no dispensacionalismo progressivo?

A maioria dos leitores brasileiros conhece o movimento pelo livro Dispensacionalismo, de Charles Ryrie, que dedica um capítulo ao tema e faz críticas ao longo da obra. O livro saiu em 1965 como Dispensationalism Today e foi reeditado em 1995 como Dispensationalism. Nele, Ryrie propôs três crenças fundamentais do dispensacionalismo: a distinção entre Israel e igreja, a interpretação literal e consistente das Escrituras e o princípio doxológico, a glória de Deus como princípio unificador.

Em 1988, Craig Blaising criticou esses princípios sem querer abandoná-los, mostrando que precisavam de qualificação. Os três pontos não bastavam para separar um dispensacionalista de um aliancista, porque surgiam teólogos que não eram necessariamente dispensacionalistas e mantinham certa distinção entre igreja e Israel, o princípio doxológico e a leitura literal.

Para o pastor, a crítica de Ryrie em 1995 não atinge os dispensacionalistas progressivos, porque toma como centrais crenças que eram periféricas em alguns autores. Em correspondência com Craig Blaising e Darrell Bock, ele ouviu de ambos que houve uma má compreensão do que é o dispensacionalismo progressivo. O princípio vale para qualquer debate: "Se você pega um elemento periférico de um proponente e coloca como elemento central do sistema, você tem um problema, porque não é honesto." A história de como os critérios de Ryrie se encaixam no desenvolvimento do dispensacionalismo está em Dispensacionalismo clássico, revisado e progressivo: o mapa.

Como o Pr. Jonas chegou ao dispensacionalismo progressivo?

A própria trajetória do pastor ilustra o caminho. Ele se considerava dispensacionalista, mas com restrições, e rejeitava o progressivo porque tinha ouvido que era um aliancismo disfarçado, acusação que ele responde em O dispensacionalismo progressivo é um aliancismo disfarçado?. Ao comprar os livros dos autores para preparar uma aula de pós-graduação, percebeu que o que eles escreviam era o que ele acreditava.

"Eu tirei dois anos só para ler sobre isso. Eu li os materiais todos que eu podia, algumas vezes, mais de uma vez." Ao final, decidiu que se considerava dispensacionalista progressivo, porque o que os autores defendem está mais alinhado com a teologia bíblica, com a hermenêutica e com os estudos do Antigo Testamento e do Antigo Oriente Próximo.

O conselho do Pr. Jonas Mendes a quem cresceu com fontes secundárias é ler quem defende o movimento, e não só quem o critica, porque os críticos às vezes não leram o suficiente para entendê-lo. Concordar ou discordar continua livre; o que ele pede é a ordem certa: "A gente precisa, antes de tirar uma conclusão, parar para estudar e se dedicar ao assunto. E aí depois a gente pode falar com propriedade sobre o que concordamos ou discordamos."

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David Marrone

Sobre o autor

David Marrone

Apresentador do Cenáculo do Saber - Entrevista

  • Apresentador e entrevistador do Cenáculo do Saber - Entrevista
  • Escreve as reflexões do Cenáculo do Saber a partir das conversas do programa
  • Membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus
  • Acadêmico do sexto ano de Medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
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