Quando se fala em aliança davídica, muita gente pensa apenas em Jesus sentado num trono por mil anos. No episódio 32 do Cenáculo do Saber - Entrevista, com David Marrone, o Pr. Jonas J. Mendes chamou isso de reducionismo e mostrou como a aliança com Davi, ao lado das outras alianças da promessa, encontra em Cristo o seu centro: "Cristo é o centro unificador do plano e das promessas de Deus. Todas as alianças e promessas convergem nele."
A aliança davídica é só o milênio?
Segundo o pastor, reduzir a aliança davídica ao reino milenial empobrece o que a Bíblia diz. A aliança é muito mais complexa e inclui um descendente, uma relação filial, uma dinastia, um trono, um governo e a mediação da bênção. Os textos que mostram esses elementos são 2 Samuel 7, 1 Crônicas 17 e os Salmos 72, 89 e 132.
Visto assim, o trono é um elemento entre vários, e o primeiro da lista, o descendente, é justamente por onde o Novo Testamento começa.
Jesus já cumpriu a aliança davídica?
A aliança tem um cumprimento inicial quando Cristo vem, porque ele é o descendente de Davi. Em Lucas 1.32,33, o anjo Gabriel diz a Maria que aquele é o herdeiro do trono. Mateus, Paulo e os evangelistas reconheceram que Jesus é o filho e descendente de Davi, o rei. Zacarias 9.9 anuncia o rei que vem montado em um jumentinho, e o povo grita Hosana quando ele entra em Jerusalém.
Ele é o rei, observa o Pr. Jonas, mas não veio para reinar no trono físico em sua primeira vinda. Em nenhum momento Jesus deixou de ser o filho de Davi, e por isso a aliança teve um cumprimento inicial: o descendente prometido chegou. Isso não significa que ele tenha cumprido todos os termos dessa aliança. Ainda há o que o Antigo Testamento propõe e que ele vai cumprir. A questão mais específica do trono, debatida dentro do próprio dispensacionalismo, está no artigo do pastor O Trono de Davi e o Dispensacionalismo Progressivo.
O que significa dizer que Cristo é o centro unificador das alianças?
A garantia, para o Pr. Jonas, está em 2 Coríntios 1.20, em que Paulo diz que todas as promessas de Deus têm nele o sim e o amém. Todas as alianças e promessas convergem em Cristo. Orígenes, lembra o pastor, o chamava de autobasileia, o reino em pessoa.
Em Efésios 2.12, Paulo fala das alianças da promessa, entre elas a abraâmica, a davídica e a nova aliança. Elas têm uma unidade orgânica e encontram o seu centro unificador em Cristo, onde recebem a sua inauguração e o seu estabelecimento inicial. O pastor faz questão da ressalva: apenas o estabelecimento inicial.
O que a igreja já desfruta das alianças?
Todos os que estão em Cristo agora, judeus e gentios, participam de algumas bênçãos inaugurais dessas alianças. Mas nem todas as bênçãos estão disponíveis ainda, porque essas alianças têm bênçãos materiais e espirituais, algumas que se estendem sobre a terra e sobre o reino físico.
Alguns aspectos dessas bênçãos são desfrutados no presente pela igreja, por meio de Cristo Jesus. Todo o pacote, porém, será desfrutado no futuro com o seu destinatário original e com todo o povo redimido de Deus, composto de judeus e gentios de todas as eras.
A conclusão do Pr. Jonas Mendes guarda as duas pontas: as promessas de Deus já encontram em Cristo o seu sim, e o que a igreja desfruta hoje são bênçãos inaugurais, à espera do pacote completo. Para quem lê as alianças, isso livra de dois erros ao mesmo tempo: achar que tudo já se cumpriu e achar que nada se cumpriu ainda.





